domingo, 24 de janeiro de 2010

Prazer


Conheço muitas pessoas que vão ao cinema, a boates e restaurantes e parecem eternamente insatisfeitas.

Até que li uma matéria com a escritora Chantal Thomas, na revista República, e ela elucidou minhas indagações internas com a seguinte frase: "Na sociedade modernamuito lazer e pouco prazer".

Lazer e prazer são palavras que rimam e se assemelham no significado, mas não se substituem.


É muito mais fácil conquistar o lazer do que o prazer.

Lazer é assistir a um show, cuidar de um jardim, ouvir um disco, namorar, bater papo.

Lazer é tudo o que não é dever. É uma desopilação.

Automaticamente, associamos
isso com o prazer: se não estamos trabalhando, estamos nos divertindo.


Simplista demais.

Em
primeiro lugar, podemos ter muito prazer trabalhando, é redefinir o que é prazer.


O prazer não está em dedicar um tempo programado para o ócio.

O
prazer é residente. Está dentro de nós, na maneira como a gente se relaciona com o mundo.


Chantal Thomas aborda a idéia de que o turismo, hoje, tem sido mais uma imposição cultural do que um prazer.

As pessoas aglomeram-se em filas de museus e fazem reservas com meses de antecedência para ir comer no lugar da moda, pouco desfrutando disso tudo.

Como ela diz, temos solicitações culturais em demasia.


É quase uma obrigação você consumir o que está em evidência.

E se é uma obrigação, ainda que ligeiramente inconsciente, não é um prazer.

Complemento dizendo que as pessoas estão fazendo turismo inclusive pelos sentimentos, passando rápido demais pelas experiências amorosas, entre elas o casamento.


Queremos provar um pouquinho de tudo, queremos ser felizes mediante uma novidade.

O ritmo é determinado pelas tendências de comportamento, que exigem uma apreensão veloz do universo.

O
prazer é mais baiano. Calma.


Não está em ver o filme que ganhou o Oscar, mas na emoção que ele pode lhe trazer.


Não está em faturar uma garota, mas no encontro das almas.

Está
em tudo o que fazemos sem estar atendendo a pedidos.


Está no silêncio, no espírito, está menos na mão única e mais na contramão.

O prazer está em sentir.

Uma obviedade que merece ser resgatada antes que a gente comece a unir o útil com o útil, deixando o agradável pra .
Texto de José A. Pimentel

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Pesquisar este blog

Carregando...

Seguidores

Quem sou eu

Minha foto
Rio de Janeiro, Brazil
Administrador de Empresas, com pós-graduação em Administração Financeira e MBA em Gestão de Pessoas.